terça-feira, 1 de setembro de 2015

O que Ética?

A Ética é o conjunto de virtudes morais que adquirimos com a nossa cultura, geralmente são os nossos familiares que nos passam essas virtudes, que marcarão a nossa conduta perante à sociedade. 
Segundo Aristóteles (filósofo estagirita) temos dois tipos de saber: o teórico ou contemplativo que é o conhecimento de seres ou fatos que existem independente da nossa interferência, isto é, são seres e fatos naturais. E o saber prático que são adquiridos a partir da nossa interferência, ou seja, a partir das nossas ações, portanto, depende de nós. A ética e a política são saberes práticos.
A ação é o que chamamos de práxis, esta por sua vez não se separa do agente, pois o agente (ser humano) é aquele que reproduz a ação. Por exemplo: se prático algo bom, como falar a verdade, esta ação não se desvincula de mim, pois sou o que pratico, isto passa a ser parte da minha personalidade. 
Portanto, as virtudes morais, aquilo que geralmente é o que pratico, passa ser parte de mim. Para Aristóteles essas ações são puramente racionais, é preciso ter conhecimentos, consciência, para praticá-las. 
Sem conhecimentos das causas é impossível ter certeza do que é bom ou mal. As causas, segundo a metafisica aristotélica, são a origem das coisas (ações) ou dos seres. 
Aristóteles também escreveu sobre a definição das ações éticas, ou virtudes morais, estas não são somente definidas pelas virtudes, mas também se referem a deliberação, a decisão, ou seja, escolha. Portanto posso escolher se quero fazer o bem ou não e dai definir se sou ou não uma pessoa ética: percebam que isso é totalmente racional. Uma pessoa irracional não pensa sobre as consequências dos seus atos prejudicando toda a sociedade. 
Sobre as coisas naturais não podemos deliberar, porque elas acontecem independente da nossa interferência, portanto não depende de nossas ações. é o caso, por exemplo, de um Tsunami, embora centros de pesquisas tentem prever o fenômeno, para evitar uma catástrofe, esta irá acontecer.
Deliberamos sobre o que é possível, sobre o que meus atos possam concluir. As minhas escolhas irão interferir na sociedade, por isso devo fazer escolhas éticas, pois estas são universais e farão bem para a sociedade. 
Como saber o que é bom? definindo o que é melhor para o todo, se fará bem para a maior parte da sociedade. Algo que irá satisfazer o meu ego, somente a mim, não pode ser uma atitude ética, pois é uma ação egoísta. 
Para Aristóteles a Prudência ou a Sabedoria prática, estão ligadas à vontade racional, a deliberação ou a escolha do que é bom em detrimento do que é mal, ou seja, devo partir do pressuposto que as minhas escolhas irão atingir à sociedade, portanto devo escolher o que é melhor, o que fará bem para o todo. 
 Um exemplo contemporâneo que afeta a todos nós: Entre usar drogas, que satisfará os meus desejos levando-me ao um estado de estase e prazer, e não usá-las, sabendo que isso interfere diretamente na sociedade, pois estou alimentando o tráfico destas e de armas, o que irá culminar em violências, o que devo escolher? 
O pensamento aristotélico nos chama para a racionalidade, lembrem-se da prudência, e nos faz escolher o que é melhor para o todo. 
O prudente, que perante todas as ações, é aquele que consegue julgar o que será melhor, qual atitude tomar e o que é verdadeiramente ético. Por isso a ética é universal: o bem é uma ação virtuosa em todas as partes do mundo, independe de culturas. 
Aristóteles escreveu um livro abordando este assunto que se chama Ética a Nicômaco, este último foi seu pai que era um médico estagirita. 
Neste livro Aristóteles distingui as virtudes dos vícios: as virtude são ações que constituem a excelência e a moralidade distingui-se dos vícios que são os excessos. 
Veja no quadro abaixo: 

VIRTUDES                  VÍCIOS POR EXCESSO                         VÍCIO POR FALTA
coragem                         temeridade                                                 covardia
temperança                     libertinagem                                               insensibilidade
liberalidade                     prodigalidade                                             avareza
respeito próprio               vulgaridade                                                modéstia
magnificência                  vaidade                                                      indiferença
gentileza                          irascibilidade                                             descrédito próprio
veracidade                       orgulho                                                      grosseria 
agudeza de espirito          zombaria                                                     tédio
amizade                          condescendência                                          malevolência
justa indignação.             inveja


Percebam que todos nós temos vícios, contudo alguns destes são mais prejudiciais que outros, portanto devemos ser racionais e perceber o quanto somos prejudiciais a uma sociedade quando somos indiferentes, por exemplo, à atos corruptos na sociedade ou à violência que nos assola. Pecamos por omissão. A vulgaridade ou a libertinagem podem causar doenças que afetarão a sociedade e a corrupção, além das doenças, devido a falta de estrutura social, a morte por inanição. 
Deste modo, o mínimo que devemos ser, já que vivemos em sociedade, portanto não vivemos sozinhos, é éticos, pois as virtudes morais nos levam a plenitude de uma vida qualitativa.