terça-feira, 4 de julho de 2017


A Cultura como desenvolvimento humano.
Por Katia Regina Santana.


       Engraçado como, mesmo tendo conhecimento nesta área, as pessoas a nossa volta apresentam uma dificuldade em se desligar da cultura de massa, já que os meios de comunicação e a indústria cultural de massa usam de artifícios para viciar as pessoas neste tipo de cultura, que, aliás, parece entretenimento, mas é um meio para fazer com que a racionalidade humana se torne deficiente.
       Mesmo trabalhando com educação e com cultura erudita percebo que não consigo atingir uma gama considerável de pessoas do meu circulo familiar e amistoso, pois as pessoas estão tão viciadas nas diversas culturas de massa que já não conseguem viver sem elas.
        A cultura de massa é aquela industrializada, fabricada pela indústria capitalista, que tem como objetivo o enriquecimento das empresas de comunicação, bem como as de pseudo entretenimento, ou seja, de maneira alguma poderiam enriquecer a mente humana.
       A cultura de massa pode ser nociva à mente, porque faz com que o cérebro deixe de exercer as funções neurais que naturalmente deveria exercer. Para manter um cérebro saudável é preciso exercitá-lo, assim como os músculos do corpo, para que não enferruje literalmente.
A leitura de clássicos da literatura - brasileira ou estrangeira - seria um exercício eficaz para manter a saúde do cérebro. Uma simples leitura, de contos infantis, por exemplo, ou qualquer que seja a leitura, desde que tenha um bom conteúdo, nos dá subsídios para sua eficácia. Além disso, alimentação saudável, exercícios regulares e uma boa noite de sono.
Não existe pessoa sem cultura, isso é uma falácia, todos têm culturas, no entanto o que nos prevalece é o que nos trará melhor benefício. Mas temos que nos preocupar com que chamamos de benefícios: a cultura de massa, por ser principalmente entretenimento, a princípio pode parecer nos beneficiar, porque trás felicidade momentânea, porém é preciso observar que quem é levado a gostar de cultura de massa são alvos das ideologias.
Um exemplo de cultura que deveria prevalecer na nossa vida é a popular, porque nos da uma identidade e explica a nossa essência; é a cultura popular que dirá de onde viemos e quem nós somos. Não devemos, jamais, abandonar a cultura popular. Há quem diga que o paulistano não tem cultura popular, já que fomos aculturados, contudo é preciso buscar nossas raízes familiares e perceber o que nos marca culturalmente – a ascendência étnica nos dirá que cultura deveria preservar – para que saibamos usa-las em proveito próprio.
Um exemplo de cultura popular é a música sertaneja, aquela de raiz, e que tem suas bases no campo, porquanto lembra as histórias, a vida no campo. Cidades brasileiras como Santa Helena de Goiás, cidades interioranas de São Paulo e Minas Gerais, contam as histórias e práticas culturais de seu povo nas músicas, dando-nos subsídios, cultural e histórico – até mesmo para pesquisas – para trabalharmos em sala de aula.
A música sertaneja, infelizmente, se tornou alvo da indústria fonográfica e de massa, aculturando-se de artifícios eletrônicos e instrumentos elétricos utilizados na música rock, além da pop e hip hop. Usando também letras excessivamente românticas – um romance que não existe na realidade – banalizando a cultura sertaneja: perceba que as duplas, ou grupos, sertanejos ganham milhares de reais e seus shows são pirotécnicos e luxuosos tirando a simplicidade que é a essência do homem do campo.
É obvio que a indústria ganha com isso e quem perde é o público: estudos mostram que as letras das músicas pop são banais e frívolas, o que não nos força a raciocinar sobre a nossa realidade. Ha quem diga que música é entretenimento e não foi feita para nos induzir ao raciocínio. Mas somos seres pensantes por isso todo artifício que alimenta o cérebro é subsídio para aumentar o raciocínio crítico. Nós podemos unir o útil ao agradável, mas sem deixar de exercitar o cérebro.
Quanto mais críticos formos, menos enganados seremos e nossa sociedade crescerá substancialmente. Para votar, para comprar, para ter serviços públicos de qualidade temos que ser pessoas questionadoras e analíticas, portanto é preciso absorver conteúdos culturais que contribua para isso.
A cultura popular e erudita sempre foram utilizadas para estimular o raciocínio crítico, bem como para o ensino nos bancos escolares. Na Grécia clássica era por meio das peças teatrais que o povo participava da vida pública: era nas comédias – análise da vida pública – nas tragédias – visão social e privada – que o homem buscava subsídios para seu enriquecimento intelectual.
É desta forma que a cultura, que é entretenimento, assim como a música, pode ser usada como instrumento de educação e análise crítica. 
Outro exemplo de cultura popular que deve ser preservada é a indígena, porque preserva as nossas raízes culturais assim como a nossa História: preservar a cultura indígena – o que resta dela – é não se esquecer dos erros do passado, é não esquecer as injustiças cometidas contra o nosso povo, é não esquecer que um dia fomos colonizados.
Pensar a partir da cultura indígena é pensar com simplicidade, é pensar que podemos viver com pouco e sem causar danos ao Planeta Terra, é aprender a cuidar da natureza e preserva-la em prol da humanidade, é saber que um dia teremos futuro e que este futuro terá qualidade. Então por que não nos importar com tal cultura? Porque fomos invadidos pela cultura norte americana, de massa, e nos perdemos nos encantos dela: perceba que no dia 19 de abril (dia do índio no Brasil) crianças do ensino fundamental desenham um indígena norte americano, por desconhecer as características físicas e culturais dos nossos povos. 
O que nos falta? Doses intensivas de cultura popular brasileira que é diversificada e riquíssima.
A cultura Erudita, hoje, é mais acessível devido aos meios de comunicação e tecnologias disponíveis, no entanto ela não é apresentada ao jovem, e a criança, das periferias, então como ensinar a gostar deste tipo de cultura?  Quem deveria apresenta-la as populações mais simples – não vou falar aqui de população de baixa renda por me parecer pejorativo – para que passe a apreciá-la e inseri-la no seu cotidiano? Teatro, cinema (clássicos e históricos), músicas sinfônicas, entre outras, são exemplos de cultura erudita que nos trazem benefícios mentais.  
E por falar em acesso, com a digitalização da televisão, os canais em HD trazem uma programação diversificadas sendo estas de maior erudição, tais como a exibição de clássicos do cinema e de literaturas eruditas: “Romeo e Julieta” de Willian Shakespeare. Além disso, uma gama de canais educativos com aulas e debates importantes para a melhoria da educação do brasileiro, não podemos dizer, desta forma, que não há acesso.  
O problema é que a cultura de massa vicia e que os sites de relacionamentos, bem como os equipamentos eletrônicos, ocuparam o lugar dos livros. Assistindo a um debate no canal “TV Escola” discutia-se a falta de biblioteca nas escolas públicas e o desinteresse das famílias na literatura. Como incentivar as crianças à leitura se nem o espaço de leitura, outrora sagrado, está sendo respeitado?
Nas décadas de 1980 e 1990, nas escolas públicas, principalmente as municipais de São Paulo, havia as aulas de leitura, em que o professor de ensino básico levava os alunos para a biblioteca com o objetivo de incentivá-los à leitura. Desta forma, adquiria-se o hábito de ler e que posteriormente viraria um habito da família também. Assim era nas escolas que eu estudei e que, junto com minha mãe e irmã – essa última já devorava livros diariamente – adquiri o habito da leitura.
Hoje é preciso fazer projetos de incentivo à leitura, porque já não existem as aulas para este fim. O que eu lamento muito!
Mesmo que exista uma parcela da sociedade que defenda o uso dos vídeos games para - não só para entretenimento – engendrar criatividade e para melhorar a memória: existem jogos de estratégia que realmente ajudam no desenvolvimento da psique, no entanto não é o suficiente. Para o fomento da razão, não há dúvidas que a leitura ainda seja primordial ao exercício da mente.
Não podemos esquecer que tudo que foi engendrado por grupos humanos se refere à cultura, porque cultura vem do latim cultivar (laborar), portanto o que é feito pelo homem para o homem.
A leitura nos leva para o mundo que não conhecemos, às culturas que não participamos e a vivência que nunca tivemos, deste modo, é impossível, para muitas pessoas, conhecer a diversidade cultural mundial, então de que maneira entender a cultura do outro se não pelos livros? É preciso conhecer para não ter pré-conceito, porque o que nos torna intolerantes é justamente a nossa ignorância.
Como adquirir, e pensar sobre, conhecimentos sobre o que acho diferente? Como não ter um conceito errôneo sobre aquilo que eu não entendo? É a partir da leitura que o mundo do outro se inter-relaciona com o meu para que haja acréscimo.
A leitura me proporciona questionar a minha cultura e conhecer a diversidade cultural: eu pertenço há algum grupo popular? Ou melhor, qual é a minha cultura popular? O que faz bem para o meu crescimento intelectual? Cultura de massa, erudita ou popular?
Adquirindo conhecimentos saberei o que é melhor para mim e para a sociedade.

“A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro”

            E para que nossa imaginação possa fluir, recomenda-se uma boa leitura.




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