A Política: Conceito e origem da palavra.
É muito comum, na contemporaneidade, as pessoas dizerem que não
gostam de política ou que política é coisa para quem entende ou para quem seja
muito sábio.
Em primeiro lugar é preciso salientar que a sabedoria, segundo
os filósofos da Grécia clássica, era algo inalcançável, pois mesmo o homem que
foi considerado pelo oráculo de Delfos como o mais sábio do mundo – Sócrates – recusou
este título.
Portanto sabedoria é uma qualidade para poucos, o que quer dizer
que todos nós somos capazes de compreender
a política.
A origem da palavra política vem de Polis (cidade), ou povo, que era o espaço geográfico ou o
aglomerado de pessoas que debatiam as ideias em prol da melhoria de condições,
ou aprimoramento, da vida social de Atenas. Na polis o cidadão (homem livre) defendia as suas ideias e discursava na
Assembleia para que as ideias fossem implantadas beneficiando a todos.
Deste modo a palavra polis
se transformou em Politikós, que é um
verbo, é a ação do povo em conjunto: planejamento de obras, tais como
restauração de vias e edifícios, projetos de leis, enfim uma estrutura viável
ao bem estar da comunidade: mais ou menos o que fazem os vereadores e deputados
na contemporaneidade. Contudo, na polis grega, todos que pertenciam à classe
dos cidadãos podiam participar das decisões.
A política é muito diferente da politicagem, pois esta palavra
denota corrupção. Então quando alguém fala que não gosta de política está se
referindo a roubalheira, as falcatruas dos nossos representantes públicos e não
à nossa participação efetiva na polis. Assim quem não gosta de política não
participa e não participando abre precedentes para a corrupção, pois quem
escolhe os nossos representantes somos nós, o povo, e como parte da sociedade é
nosso dever zelar por ela fiscalizando os nossos eleitos. Destarte participação na vida pública é política. Corrupção, preguiça,
amoralidade é politicagem.
A pergunta mais frequente nas minhas aulas de filosofia política
é: Por que hoje em dia nós não participamos ativamente, mais de perto, das
decisões políticas? O modelo de política
ateniense não deveria ter permanecido? Eu gostaria que sim, mas é um pouco
complexo. A história é longa, mas irei conta-la.
Entre os séculos V a III a. C os gregos, mais especificamente os
atenienses, implantaram uma forma de governo em que todos os homens livres -
considerados cidadãos - pudessem participar da vida pública, contudo mesmo com
a implantação da democracia (demo =
povo; cracia = poder), que é uma das
formas de governo, esta era imperfeita, porque como foi dito no texto anterior
somente os homens livres e pertencentes à elite podiam participar dos debates e
decisões públicas. Mesmo assim estes participavam efetivamente da República (Rés = coisa, Pública = do povo).
Com o apogeu do Império romano (+ ou - 240 a 77 a.C) os gregos
foram subentendidos, os romanos absorveram a sua cultura tomando também, para
si, a forma de governo, no entanto implantando o Senado. O senado pertencia à
elite romana – eram os patrícios, donos de terras e detentores do poder público
– que controlava tudo, inclusive a política.
Os patrícios criaram cargos públicos para organizar a
cidade-Estado, institucionalizando o poder – o poder público foi
institucionalizado para que houvesse ordem e eficácia na administração – e desta forma modificaram a Democracia, que
já não era perfeita, implantando a Aristocracia, que é o poder
institucionalizado nas mão dos representantes públicos.
Essa forma de governo perpassou os séculos sendo copiada na
idade moderna, com o parlamento inglês, dando poder representativo aos
políticos eleitos, o que significa menos participação da plebe.
A isso demos o nome de Democracia representativa em que
escolhemos pessoas que se candidatam através de partidos políticos para nos
representar no parlamento – hoje chamamos de Assembleia: é o mesmo nome dado à
reunião pública da Grécia de outrora.
Com a Democracia representativa ficamos cada vez mais distantes
das decisões e ignorantes quando se refere à política e seu significado. Com os
meios de comunicação de massa as noticias de corrupção e antiética dos
políticos que nós elegemos nos chegam mais rapidamente e se tornam mais
evidentes, destarte cada vez mais pegamos antipatia por esta ação necessária ao
andamento da cidade. Os prejuízos são incalculáveis, pois quanto mais distantes
ficamos, mais imperfeita se torna à administração pública.
É por isso que devemos nos inteirar a despeito do significado de
política diferenciando-a de politicagem, pois só assim poderemos melhorá-la.
Assim eram as discussões na Ágora ou no Senado romano.
BIBLIOGRAFIA
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2011. Cap. 9, p.p 430 a 450.
COVRE, Maria de Lourdes Manzini. O que é Cidadania. São Paulo:
Brasiliense, 2005.
MAAR, Wolfgang Leo. A Política. São Paulo: Brasiliense.


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