terça-feira, 11 de agosto de 2015

A Política: Conceito e origem da palavra.


A Política: Conceito e origem da palavra.

     É muito comum, na contemporaneidade, as pessoas dizerem que não gostam de política ou que política é coisa para quem entende ou para quem seja muito sábio.
     Em primeiro lugar é preciso salientar que a sabedoria, segundo os filósofos da Grécia clássica, era algo inalcançável, pois mesmo o homem que foi considerado pelo oráculo de Delfos como o mais sábio do mundo – Sócrates – recusou este título.
     Portanto sabedoria é uma qualidade para poucos, o que quer dizer que todos nós somos capazes de compreender a política.
     A origem da palavra política vem de Polis (cidade), ou povo, que era o espaço geográfico ou o aglomerado de pessoas que debatiam as ideias em prol da melhoria de condições, ou aprimoramento, da vida social de Atenas. Na polis o cidadão (homem livre) defendia as suas ideias e discursava na Assembleia para que as ideias fossem implantadas beneficiando a todos.
     Deste modo a palavra polis se transformou em Politikós, que é um verbo, é a ação do povo em conjunto: planejamento de obras, tais como restauração de vias e edifícios, projetos de leis, enfim uma estrutura viável ao bem estar da comunidade: mais ou menos o que fazem os vereadores e deputados na contemporaneidade. Contudo, na polis grega, todos que pertenciam à classe dos cidadãos podiam participar das decisões.
     A política é muito diferente da politicagem, pois esta palavra denota corrupção. Então quando alguém fala que não gosta de política está se referindo a roubalheira, as falcatruas dos nossos representantes públicos e não à nossa participação efetiva na polis. Assim quem não gosta de política não participa e não participando abre precedentes para a corrupção, pois quem escolhe os nossos representantes somos nós, o povo, e como parte da sociedade é nosso dever zelar por ela fiscalizando os nossos eleitos. Destarte participação na vida pública é política. Corrupção, preguiça, amoralidade é politicagem.
     A pergunta mais frequente nas minhas aulas de filosofia política é: Por que hoje em dia nós não participamos ativamente, mais de perto, das decisões políticas?  O modelo de política ateniense não deveria ter permanecido? Eu gostaria que sim, mas é um pouco complexo. A história é longa, mas irei conta-la.
     Entre os séculos V a III a. C os gregos, mais especificamente os atenienses, implantaram uma forma de governo em que todos os homens livres - considerados cidadãos - pudessem participar da vida pública, contudo mesmo com a implantação da democracia (demo = povo; cracia = poder), que é uma das formas de governo, esta era imperfeita, porque como foi dito no texto anterior somente os homens livres e pertencentes à elite podiam participar dos debates e decisões públicas. Mesmo assim estes participavam efetivamente da República (Rés = coisa, Pública = do povo).
     Com o apogeu do Império romano (+ ou - 240 a 77 a.C) os gregos foram subentendidos, os romanos absorveram a sua cultura tomando também, para si, a forma de governo, no entanto implantando o Senado. O senado pertencia à elite romana – eram os patrícios, donos de terras e detentores do poder público – que controlava tudo, inclusive a política.
     Os patrícios criaram cargos públicos para organizar a cidade-Estado, institucionalizando o poder – o poder público foi institucionalizado para que houvesse ordem e eficácia na administração  – e desta forma modificaram a Democracia, que já não era perfeita, implantando a Aristocracia, que é o poder institucionalizado nas mão dos representantes públicos.
     Essa forma de governo perpassou os séculos sendo copiada na idade moderna, com o parlamento inglês, dando poder representativo aos políticos eleitos, o que significa menos participação da plebe.
     A isso demos o nome de Democracia representativa em que escolhemos pessoas que se candidatam através de partidos políticos para nos representar no parlamento – hoje chamamos de Assembleia: é o mesmo nome dado à reunião pública da Grécia de outrora.
     Com a Democracia representativa ficamos cada vez mais distantes das decisões e ignorantes quando se refere à política e seu significado. Com os meios de comunicação de massa as noticias de corrupção e antiética dos políticos que nós elegemos nos chegam mais rapidamente e se tornam mais evidentes, destarte cada vez mais pegamos antipatia por esta ação necessária ao andamento da cidade. Os prejuízos são incalculáveis, pois quanto mais distantes ficamos, mais imperfeita se torna à administração pública.
     É por isso que devemos nos inteirar a despeito do significado de política diferenciando-a de politicagem, pois só assim poderemos melhorá-la. 

Assim eram as discussões na Ágora ou no Senado romano.

 




BIBLIOGRAFIA
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2011.  Cap. 9, p.p 430 a 450.
COVRE, Maria de Lourdes Manzini. O que é Cidadania. São Paulo: Brasiliense, 2005.
 MAAR, Wolfgang Leo. A Política. São Paulo: Brasiliense.


                                                                                                                           

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